Dia das Mães e a História da minha Avó, a Mulher mais Forte que eu Conheço!

Essa semana que passou eu fiz uma homenagem às mulheres que passaram na minha vida e que considero um pouco minhas mães. É óbvio que a primeira homenageada foi minha amada mãe, que foi sempre uma  mulher batalhadora, pra frente, inteligente, que não media esforços pela família… Porém, essa força da minha mãe tem razão de ser se olharmos para sua ascendência…

Hoje eu quero contar um pouco sobre a história de vida da minha avó materna, não vou me estender e nem entrar em muitos detalhes porque são 91 anos de história para resumir e tentar expressar em palavras sobre o que é essa mulher, portanto uma missão quase impossível… Mas, gostaria de contar para vocês sobre os últimos dias de vida da minha mãe e sobre como o apoio da minha avó foi fundamental para todos nós.

Ela se chama Josefina Zaritta, nasceu em 26 de fevereiro de 1928, na cidade de Erechim – RS, mas que na época se chamava José Bonifácio. Ela é descente de poloneses, com um pouco de alemão e também lituano (isso ela me contou há algum tempo). Filha de uma família de 10 filhos, porém os irmãos não puderam conviver juntos por muito tempo por conta da separação dos seus pais. Os cinco irmãos mais novos ficaram com minha bisavó e os mais velhos com meu bisavô. Na época da separação deles minha avó contou que recém ela tinha começado estudar e por causa disso teve que abandonar a escola.

Fico pensando aonde teria chegado a minha avó se tivesse a oportunidade de estudar por mais tempo, pois ela tem uma inteligência para todos os assuntos possíveis que é impressionante!

Na década de 50 ela estava vivendo em Coronel Vivida onde conheceu meu avó, Antônio Madalosso, com que se casou e teve dois filhos: minha mãe Ivete e meu tio Ivo. A união desses dois jovens que parecia perfeita foi interrompida após o suicídio do meu avô, deixando minha avó grávida do meu tio e com minha mãe com apenas 1 ano. E com os filhos ainda muito pequenos ela veio embora para Pato Branco, onde trabalhava de empregada doméstica para criar sua família. Ela teve um segundo marido com quem teve mais 3 filhos: Iria, Itamar e Maria Cristina. Porém, ela estava destinada a viver e criar sua família sempre sozinha e assim o fez com muita dignidade.

Eu e meu irmão Alvaro no aniversário dela de 90 anos.

Seus filhos sempre foram seu orgulho!!! Foram pessoas bem criadas apesar de todas as dificuldades enfrentadas, ela conseguiu criar pessoas honestas, trabalhadoras e de bom coração.

Minha avó também trabalhou durante muito tempo cuidando de fazendas e chácaras, e com certeza essa foi uma das melhores épocas da minha infância porque praticamente todos os finais de semana nós íamos visita-la e era aquela festa brincar no meio da natureza: ir com ela na horta, na lavoura, tirar o leite das vacas… tempos, sensações, gostos, cheiros inesquecíveis. Ela sempre fez tudo com muito amor e, pelos netos, sempre deu a vida, tanto que um deles foi ela quem criou depois que a mulher de um dos meus tios não quis mais cuidar. Ela tem 14 netos e 5 bisnetos.

Há mais de 20 anos ela se aposentou e então decidiu ir morar em Bom Sucesso do Sul onde ela tinha mais alguns irmãos morando nessa cidade. Até hoje ela mora ali, na mesma casa, sozinha, fazendo tudo: lava, passa, cozinha, planta, costura… É uma pessoa muito querida por toda a vizinhança e sua casa sempre vive cheia de amigos, vizinhos e parentes porque ela consegue ser ao mesmo tempo uma companhia agradável e que agrega muito valor à vida através de sua sabedoria e experiências de vida.

Com seu filho Ivo (in memorian)

E foi através de experiências amargas que ela conseguiu, a cada dia, se transformar em uma pessoa cada vez mais doce, por incrível que pareça. Em 2000 ela perdeu seu primeiro filho Ivo, foi um baque porque esse foi um dos filhos que mesmo depois de adulto viveu muito tempo junto com ela. No começo de 2015 a descoberta do câncer na minha mãe, em janeiro de 2016 ela perdeu um de seus irmãos e seu melhor amigo: o Tio Domingos e em 2018 meu pai, que ela considerava como filho.

Mas, é sobre o resgate entre ela e minha que quero dar a maior ênfase nessa história… Na época que minha mãe ficou doente, ela também ficou muito emotiva, e como ela foi sempre muito temperamental por algum motivo ela não quis a presença da minha avó por muitos meses no período da doença. Isso era uma das coisas que mais me deixava triste, pois sabia que a reconciliação e o perdão entre as duas era fundamental para a cura da minha mãe, não somente a cura física, mas também a cura espiritual.

Aniversário de 91 anos.

Em outubro de 2016, em uma das internações da minha mãe, eu e minha tia Maria Cristina intercedemos pelas duas e promovemos um reencontro. Isso foi fundamental para “quebrar o gelo.” Nesse período minha mãe estava indo para a fase terminal de sua doença… Entre as idas e vindas da minha avó para visita-la na última delas minha mãe falou: “Vó, eu não quero que a senhora vá embora, volte para casa para buscar suas coisas e fique comigo.” E emocionada minha avó me falou: “Até ela não melhorar ou não partir eu não arredo o pé daqui.” E assim ela permaneceu durante mais ou menos 20 dias.

E mesmo no alto dos seus 89 anos na época, ela passava noites em claro cuidando da minha mãe, primeiro porque ela queria e fazia questão, segundo porque era importante para as duas esse resgate e esse perdão… Nos últimos dias de vida da minha mãe, minha avó trocava suas fraldas… E como minha mãe não tinha mais forças nem para se mexer na cama ela chamava a minha avó para ajudar… E ela ia faceira dizendo: “vou lá virar o meu toquinho!”

Hoje eu tenho certeza absoluta que minha mãe foi embora totalmente em paz, por conta dessa e de outras reconciliações que ela se permitiu fazer. Mas, principalmente esse perdão com minha avó, porque mãe é a coisa mais importante que temos na vida.

No dia da sua partida, minha avó foi firme, forte, confiante nos designos de Deus… e quando ela fala da minha mãe não tem peso nem tristeza na sua voz, tem sim a esperança de um reencontro e a certeza de que ela está num lugar de muita paz e muita luz porque era merecedora. Hoje mesmo quando fui visita-la ela me disse: “Sua mãe não está morta, está morta aqui na terra, mas está viva junto com Deus.”

Todo esse texto foi escrito em menos de meia hora, coisa inédita para quem precisa de tempo, criatividade, paz para poder desenvolver histórias, porém tenho certeza que na história de hoje recebi inspiração dos ceús, porque minha avó é uma heroína, daquelas que todos admiram e sonham ser 1% do que ela é! Obrigada meus leitores queridos de sempre por acompanhar esse meu singelo trabalho que tem o objetivo de levar histórias de muita luz para vocês.

 

 

6 respostas para “Dia das Mães e a História da minha Avó, a Mulher mais Forte que eu Conheço!”

  1. Emocionante!
    Linda historia de amor e força que transmigra pelas gerações.
    Agora entendi de onde vinha a forca e a amor de sua mãe e voce é digna herdeira desses dons.

    1. Obrigada Nadir amiga tão amada de toda a nossa família! Vocês fazem parte de vários capítulos felizes da vida da nossa família. Jamais serão esquecidos. Obrigada por acompanhar o meu trabalho. Amo vocês!

  2. Realmente Luciane, a tia Josefa é um exemplo pra todos nós. Forte, batalhadora e ao mesmo tempo doce. Sábia e bem humorada.
    É sempre uma companhia extremamente agradável.

  3. Lu. Muito linda a história da sua avó . Emocionante. Realmente ela é uma guerreira, merece td amor e carinho de vcs. Que Deus a abençoe grandemente. E vc expressando a sua gratidão a ela mostra de quem é filha e o tamanho do seu coração. Parabéns
    Bjs.

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