Gabriela Izidro: Força e Determinação em todos os momentos da vida!

As lutas que muitas pessoas travam no seu dia a dia, ou durante uma vida nem sempre são percebidas pelos nossos olhos ou pelo nosso coração na correria que virou nossa rotina. A cada vida que conheço melhor sigo firme nesse meu trabalho e nesse meu propósito de inspirar pessoas através das histórias, das lutas, das superações. E hoje é dia de compartilhar mais uma delas… a vida de uma menina linda e que, desde pequenina, teve que enfrentar suas provações, superar suas dores e suas perdas e mesmo assim seguir sorrindo e espalhando alegria por onde passa…

A Gabriela Izidro nasceu em 29 de abril de 1986 em Pato Branco, na Policlínica Pato Branco. É filha de Lourdes Lastra Izidro (im memorian) e José Izidro.

“Meus pais moravam no interior de Bom Sucesso, na Linha Trinta Voltas. Quando eu tinha 2 anos e 8 meses, minha mãe faleceu, por câncer de estomago, já durante o tratamento dela, minha tia e madrinha (irmã mais nova da minha mãe, Faustina Lastra Zanella) me cuidou. Assim, logo após o falecimento da minha mãe, fui morar com meus padrinhos, a Faustina e José Zanella, em Pato Branco, no bairro Santa Terezinha. E meu pai José Izidro, continuou a morar em Bom Sucesso, onde reside até hoje. Tenho 2 pais e 1 mãe. Com o tempo, comecei a chamar a Faustina e José Zanella de pai e mãe.

Com os pais e tios José e Faustina Zanella.

Meu pai José Izidro, se casou novamente com a Maria, e tenho 2 irmãos, Gabriel Izidro, 24 anos, e Marcelo Izidro, 19 anos e eu convivo normalmente com eles. A mãe Faustina e José Zanella tiveram um filho, Eduardo Zanella de 28 anos que considero meu irmão também.

Com o pai José Izidro.

Na pré-escola eu estudei no Sesi e da primeira até a quarta série na Escola Sant’Ana, um colégio de freiras e que tenho ótimas lembranças até hoje de uma relação muito boa com as freiras, das apresentações, dos colegas… Da quinta séria a oitava eu estudei no La Salle. O segundo grau (ensino médio de hoje) eu estudei no CEFET, e fiz meu único vestibular da vida, e passei na UTFPR Pato Branco, no curso de Administração.

Com o irmão Eduardo.

Fui estudiosa, tímida também, me relacionava bem com as pessoas, mas tinha um círculo reduzido de amigos. Sempre tive uma relação muito boa com meus primos, e todos os domingos ia para Bom Sucesso na casa dos meus nonos (Serio Zanella e Maria Zanella). Lá no sitio, brincava muito na roça, no rio, nos banhados, nas árvores. Posso dizer que brinquei muito na minha infância.

Com os irmãos Gabriel e Marcelo.

Uma vez meu nono fez um carrinho de madeira, tipo um caminhãozinho, com volante, banco, freios e carroceria… eu e meus primos brincávamos o dia todo, subindo e descendo os morros de estrada de chão, era muito divertido. Além disso jogávamos bola, futebol, vôlei, bets… eu vivia sempre cheias de arranhões e esfolados… rsrsrs

Quando decidi fazer faculdade, naquela época meus pais não podiam pagar uma faculdade particular e também não poderia me manter fora de Pato Branco, assim dentro das opções que existiam em Pato Branco, optei pelo curso de Administração na UTFPR. Hoje me identifico muito com essa profissão porque gosto de resolver “problemas”, encontrar soluções… Nunca sonhei com outro curso, por isso não me sinto frustrada nesse sentido, hoje amo o que eu faço.

Família Zanella comemorando os 60 anos de casamento dos Nonos.

Na época do meu ensino médio, minha mãe tinha uma loja de roupas na rua Guarani, trabalhava com ela no período da tarde, porém queria algo diferente do que trabalhar com a mãe, foi nesse momento em que comecei a trabalhar em uma assessoria de cobrança, realizava cobranças por telefone. Fiquei nessa empresa até terminar o ensino médio e resolvi sair para estudar para o vestibular, e confesso que não estudei muito não… Depois de passar no vestibular, uma amiga da minha mãe ofereceu um trabalho no supermercado Center Baixada e trabalhei lá durante 3 meses.

Viagem ao Chile em 2018.

Nos primeiros meses da faculdade, o colega Fabio Scabeni me convidou para participar de um processo seletivo na Policlínica Pato Branco, a pedido do seu amigo Altevir Pivatto. Foi aí que comecei a trabalhar no laboratório de anatomia  patológica do hospital durante 4 meses. Na sequência fui convidada a trabalhar no financeiro da Poli Saúde, Operadora de Plano de Saúde como estagiária e depois fui efetivada como colaboradora. Na Poli Saúde trabalhei por 5 anos, aproximadamente 3 anos no financeiro e 2 anos como gerente administrativa.

Quando estava para colar grau na faculdade, o ex administrador do hospital estava saindo da empresa e assim fui convidada para trabalhar como administradora da Policlínica Pato Branco, gerente administrativa, com apenas 23 anos, o que foi uma grande oportunidade para mim. Estou trabalhando no hospital até o momento e em 03 de junho completei 10 anos de empresa… foram muitos desafios e aprendizados.

Viagem que ela fez sozinha a Machu Picchu em 2017.

No Hospital posso citar vários desafios e conquistas, como a acreditação hospitalar por 2 vezes (uma espécie de ISO). Em 2015 tivemos a mudança para hospital filantrópico, apesar de ter uma consultoria contábil e jurídica, todos os processos administrativos e operacionais precisaram ser resolvidos por mim. É um trabalho de muita responsabilidade e desafiador, pois o hospital é limitado em recursos financeiros, em virtude do número de atendimentos SUS.

Porém, um dos maiores desafios que tinha para enfrentar, foi na minha vida pessoal quando descobri que estava com câncer…. Em uma noite, 20 de agosto de 2018, quando estava na cama e por acaso me toquei, senti o nódulo. Já tinha consulta agendada com a minha ginecologista no dia 27 de agosto, ela me pediu exames, me encaminhou para minha mastologista, e dos exames fiz a biopsia, e no dia 03 de setembro recebi o diagnóstico de câncer.

A Gabi e sua companheira de tratamento: a peruca!

Estava sozinha com minha médica Dra. Danuza quando recebi o diagnóstico, foi muito desespero, você nunca imagina ter um câncer. Foram dias de muito choro e questionamentos. Porém, minha família e amigos foram muito importantes para mim nesse momento. Tenho 3 tias com câncer de mama, inclusive minha mãe, Faustina teve 2 vezes, lembrei bem de todo sofrimento dela. Mas, pensei que não podia me entregar, pois se minha mãe passou por 2, eu também passaria.

Eu que já não estava mais em tratamento psicológico há algum tempo, resolvi voltar assim que recebi o diagnóstico… isso também me ajudou muito. Porque a palavra câncer é muito pesada, com ela vem muito medo, muitas angústias sobre o futuro. Cada parte do tratamento é uma incógnita de como seu corpo vai reagir.

Ensaio com Larissa Lamp.

Não tinha nenhuma patologia, não sentia nada, nem dor. Então fui para cirurgia dia 14 de setembro, ocorreu tudo bem, fiquei 60 dias afastada do trabalho e já tinha iniciado as quimioterapias… Antes de tudo isso acontecer eu já fazia a terapia Reiki, e assim permaneci fazendo essa terapia que durante as quimioterapias, o que me ajudou muito com os efeitos colaterais. A quimioterapia é algo difícil de explicar, teu corpo parece que é destruído, um mal estar estranho, mas para mim consegui fazer o tratamento sem nenhum episódio de vômito e consegui me alimentar adequadamente…

Para o vídeo institucional da Policlínica.

Trabalhei durante as quimios, realizei 8 sessões, a cada 21 dias, me afastava por 5 dias e após voltava ao trabalho, até para ter uma ocupação maior e esquecer da doença. Após 15 dias da primeira quimio, meu cabelo começou a cair, pensei que comigo seria diferente, mas não. Começou a cair numa sexta-feira, e na terça-feira, fui arrumar a minha peruca no salão Moriá e decidi na hora raspar, estava caindo muito. O pessoal do salão foi muito acolhedor.

Sabia que precisa me preparar com peruca ou lenços, mas não tinha vontade. Peguei 2 perucas no Grupo Gama, mas só fui arrumar quando realmente começou a cair. E os cabelos, esses sim, dão um segundo “choque/baque”. São só cabelos, mas a vaidade fala mais alto. Durante o tratamento não usei lenço, somente a peruca, e ela me auxiliou muito, no trabalho, nos eventos sociais, na rua, passei desapercebida. Mas, quando me libertei da peruca foi tão bom. Perguntei para o meu médico quando os cabelos iam voltar a crescer e falou: 30 dias! E exatamente 30 dias após a última quimio, dia 12 de abril, no aeroporto de Guarulhos, indo pra Florianópolis, guardei a peruca e nunca mais usei, tinha somente uns poucos cabelos, mas me senti tão bem. E posso dizer as pessoas não estão acostumadas a ver mulheres carecas.

Primeiros dias sem peruca.

Eu sou uma mulher que não tem hobbies… O que eu gosto mesmo é de estar com meus amigos e família, sair, dançar… A corrida sempre foi muito bom para mim, comecei a correr com o grupo de iniciantes da Acorpato, viciei… Mas, sempre nos 5 km e agora nesse mês de junho retornei com a corridas.

Meus planos para o futuro:  viver intensamente cada dia, aproveitar cada momento, amigos, família e experiências. Estou entrando na minha primeira sociedade, um novo negócio, com a minha amiga Paula Tremea, comadre, a qual estudamos juntas desde o terceirão. É uma franquia de ginástica para o cérebro, o Supera. É algo inovador para nossa cidade, buscamos isso por ser cidade amigo do idoso.

Foto Larissa Lamp.

A Paula estava buscando algo novo em sua vida profissional, pois há 20 anos trabalha com panificação, é proprietária junto com sua mãe na panificadora Izabela no bairro industrial. O convite da Paula para a sociedade, veio em um bom momento, que com o diagnóstico do câncer, necessitava de algo novo em minha vida, sem menosprezar o meu trabalho no hospital. O Supera é algo desafiador, muito motivador, e uma nova realidade profissional. Entretanto, meu trabalho no Hospital Policlínica continuará, pois sou muito grata por tudo que já vive nele.

Com a amiga Paula.

Enfim, após um tratamento de câncer, o qual ainda tenho uma medicação para fazer até o final do ano, a sua perspectiva de vida muda, ela não deve ser levada tão a ferro e fogo, temos sim responsabilidades, e essas precisam ser cumpridas, mas de forma leve. Meu coração é muita gratidão por tudo já vivido até aqui, aprendi muito com essa doença, espero assim, ser uma pessoa melhor a cada dia.

Agradeço todo dia pelos meus amigos e família, foram muito importantes no meu tratamento. E sem dúvida, agradeço muito também aos meus médicos, Dra. Danuza, Dr. Ricardo e Dr. Gilmar. E a todos no hospital. Recebi o melhor tratamento por eles. Sem falar na espiritualidade, só aumentou minha fé…”

Com o pai José Izidro em Aparecida para agradecer a cura.

E duas amigas muito próximas e queridas da Gabi fizeram uma surpresa e deixaram um pequeno depoimento sobre ela:

“Falar da Gabi é fácil, fácil… Gabriela tem qualidades infinitas, todos os percalços que passou perante à vida, tornaram ela cada vez mais especial e única. Sua maneira de encarar os desafios fazem com que ela se fortaleça cada vez mais, um exemplo a ser seguido, seja pelo seu desempenho profissional ou como amiga: sempre presente e prestativa.” Paula, amiga, comadre a agora sócia.

“A Gabi é uma amiga que conheci nos tempos da faculdade, uma menina muito batalhadora, muito esforçada, muito inteligente. Uma amizade que permaneceu daquela época até hoje. Ela fez parte de vários momentos importantes da minha vida, um deles quando foi dama do meu casamento. Uma pessoa que transmite uma força de vontade muito grande, uma determinação acima da média, que mesmo diante da grande dificuldade que teve na vida com a doença eu nunca vi ela desanimada… sempre com um sorriso no rosto, um exemplo de vida, um exemplo de pessoa que sempre correu atrás dos seus objetivos.” Anabel, amiga e comadre.

Foto Larissa Lamp.

8 respostas para “Gabriela Izidro: Força e Determinação em todos os momentos da vida!”

  1. Que linda história, apesar da doença.Estou na mesma situação, graças a Deus estou bem, fazendo Quimioterapia tbm de 21 em 21 dias . Fiquei feliz pela sua determinação e coragem para enfrentar tudo isso. O que me dá ânimo e que tem pessoas muito pior que nós .Seu olhar passa uma imagem de felicidades . Parabéns somos mulheres guerreiras e nunca desistimos .Que Deus lhe abençoe sempre

  2. Fiquei sabendoa poucos dias Gabi . Que bom que vc está bem e que superou mais este momento em sua vida. Deus continue abençoando sua vida. Tb já passei por momentos semelhantes a vida se torna muito mais valiosa. Felicidades e tenho certeza que cada dia será ainda melhor. Abraço carinhoso

  3. Conheci sua mãe Faustina pessoalmente, depois disso uma pessoa, que é minha comadre e q tm grande admiração por vcs, passou a me contar sua história, agora qndo vi a publicação do link da sua entrevista no facebook, cliquei com tudo para ler este exemplo de garra e determinacao.
    Apesar da doença, que linda história de superação hem?!
    Deus abençoe vc,sua guerreira!!!

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