Há 25 anos: Meu Miss Pato Branco!

É incrível o quanto Deus foi bom na minha vida e hoje olhando para trás percebo que ele me entregou seus presentes e seus dons nos momentos certos, conforme eu ia me preparando e amadurecendo… Mas, um dos maiores presentes que Ele me deu foi o título de Miss Pato Branco e é sobre isso que quero falar com vocês hoje, porque amanhã, dia 09/03/20 fará 25 anos que recebi esse título e grandes portas foram se abrindo na minha vida. Para contar um pouco dessa fase da minha vida preciso voltar alguns anos.

Eu era uma menina magricela, de grandes olhos verdes curiosos e com sede de vida! Então todo mundo falava para os meus pais que eu tinha jeito para ser modelo, meu pai sempre desconfiado e um tanto ciumento meio que torcia o nariz para isso. Mas, acredito que a maioria das meninas em algum momento da vida sonha em ser famosa, eu pelo menos sempre sonhava, sonhava em ser cantora, ser “Paquita” rsrsrs porém, isso nunca foi levado a sério nem por mim nem pelos meus pais. Naquela época era praticamente impossível uma pessoa do interior, de uma pequena cidade, sair se aventurar pelo mundo.

Aí eu levava uma vida bem normal para uma menina da minha idade, estudava, ajudava minha mãe, jogava vôlei na escola, comecei meu primeiro trabalho com 15 anos… Mas, quando eu tinha 16 anos surgiu um grande concurso de beleza na cidade (a década de 90 foi marcada por grandes concursos de beleza em nossa cidade). A loja da “Água de Cheiro” recém tinha chegado na cidade e a marca realizava concursos em todas as cidades que tivesse loja, com finais estaduais e uma grande final nacional. A dona da loja era conhecida dos meus pais e fez o convite, meu pai não queria de jeito algum, mas elas insistiram e eu fui…

Eu uma menina de 16 anos, totalmente tímida, nunca tinha saído de casa, meus pais nunca me deixaram sair à noite ou coisa parecida. O concurso e baile seriam no Clube Pinheiros e foi lá que rolavam os ensaios nos sábados à tarde, 21 meninas estavam concorrendo ao título, mulheres mais velhas do que eu, algumas já eram modelos conhecidas na cidade (sim nesse mesmo tempo existiam muuuitos desfiles de moda em Pato Branco). Então eu na minha ingenuidade e inexperiência de vida sabia que não teria chances nenhuma diante daquelas mulheres lindas e experientes de desfile, eu nunca tinha subido numa passarela na vida!

Garota Água de Cheiro, com Grasi e Dani e as proprietárias da loja.

Mas para mim, participar e tentar me classificar entre as 3 já estaria bom! E para minha surpresa eu fui a eleita da noite! Quanta alegria e felicidade! Aproveitei aquele baile e aquela noite como se fosse a última noite da minha vida de tão inebriada que estava (mas, com meu irmão mais velho na cola e observando de perto!).

Meu primeiro book profissional, por Marilena Chociai.

A partir daí começaram surgir os convites para desfile, fotos, jornais… Meu primeiro “book” foi a convite da Marilena Chociai que era fotógrafa na época. E o Rudi Bodanese, grande amigo e profissional foi quem me fez o convite para o primeiro desfile de moda. Porém, naquela época para poder desfilar profissionalmente o sindicato de modelos exigia que todas nós tivéssemos curso de modelo regulamentado pelo sindicato, e como o mundo conspira a favor de quem quer vencer, nessa mesma época surgiu um curso de “Modelo e Manequim” pelo Senac-PR. Lembro que meus pais se esforçaram muito para poder pagar mas, acreditaram no meu potencial e lá fui eu. Um curso super intenso e profissional, tínhamos aula todas as noites de segunda a sexta, algumas vezes nos finais de semana com várias disciplinas que iam desde aprender a se maquiar até sobre Direito Profissional, passarela, aula de etiqueta, aula de artes cênicas, uma experiência inesquecível onde fiz amigas que estão comigo até hoje.

 

Era final de 1994 e tivemos direito a formatura com jantar e tudo mais! Meus pais, nessa época tinham uma condição financeira bem limitada, minha mãe não estava trabalhando fora e eu tinha que me virar como podia, não tinha dinheiro para roupas ou maquiagens, mas tinha uma vizinha da minha mãe que me ajudou muito emprestando suas coisas: a Dona Ana Zottis que sempre fez parte das minhas lembranças e da minha gratidão. E foi aí que surgiu um convite que mudaria minha vida para sempre!

Book fotográfico para a formatura do curso de modelo. Por Rudi Bodanese.

O radialista Adair Kill, que também tinha um programa na TV Sudoeste, estava tentando resgatar o evento de Miss Pato Branco que estava parado desde 1992. Ele foi no Senac em busca das melhores alunas para participar do certame. E eu que sempre era dedicada em tudo o que fazia tinha notas altas na avaliação dos professores. Recebi o convite… mas, tinha que enfrentar a aprovação do meu pai, que apesar de ser uma pessoa muito doce, às vezes era muito firme em suas convicções, e lembro até hoje de sua fala: “Minha filha, não vá, nessas coisas filha de pobre não ganha!” Em partes, ele estava certo sobre isso, que conto mais a frente para vocês.

Porém, minha mãe que sempre sonhou com oportunidades diferentes para mim e minha irmã e ela foi minha grande incentivadora. O concurso seria no saudoso Restaurante Merion, no prédio do Grande Hotel, não teria passarela e nós teríamos que desfilar em 3 ambientes diferentes do lugar, incluindo: uma escada!!!!!!! Sim, uma escada para uma menina que não era acostumada a andar de salto agulha, somando ao nervosismo do dia poderia ser desastroso. Quem preparou os ensaios foi o competente Gilbert Antônio, a Mariah Casagrande (que tinha o Atelier Mariah em Pato Branco) foi quem criou os modelos exclusivos para cada uma, o Salão da Odete arrumou as candidatas e tinha muitas empresas envolvidas!

Enquanto não chegava o dia do concurso eu treina intensivamente na casa da minha mãe, salto agulha e escada várias vezes por dia para não fazer feio no dia do concurso… E lá eu estava me preparando somente para fazer um bom desfile, mas não me imaginava ganhando o concurso, até porque já existiam candidatas apontadas como as vencedoras por serem mais experientes  e etc. Então eu fui pensando: “se ficar entre as 3 está bom!” Fui preparada para “não” ganhar e acho que aí que está o barato da coisa: você se preparar para fazer o seu melhor, mas sem gerar grandes expectativas, porque quando você ganha a surpresa é muito melhor do que a frustração. Chamaram o terceiro lugar, o segundo e não era eu… imaginava que não teria nem me classificado, porque realmente não imaginava ser a primeira colocada! Mas, para minha grande alegria me anunciaram como a Miss Pato Branco 1995! Minhas pernas amoleceram totalmente, respirei fundo e fui!

Com minha mãe e minha prima Rúbia.
Momentos do desfile.

 

Menina tímida, mas cheia de sonhos.
Recebendo a coroa pelas mãos da Miss Pato Branco 92, Kelly Mezzomo.
Com o idealizador do concurso Adair Kill.

A partir desse dia novos horizonte se abriram em minha vida, grandes oportunidades que me ajudariam a me transformar na pessoa que sou hoje. Recebi o convite do Adair Kill (organizador do concurso) para ter um quadro dentro do programa dele que passava aos sábados de manhã, ao vivo, pela TV Sudoeste. A proposta era a seguinte: “toda semana você irá atrás de uma pauta, de um entrevistado e irá preparar o quadro, você poderá ter um patrocinador para sua participação o que irá ajudar na sua renda mensal, além de você trabalhar sua comunicação, como uma forma de preparo para o Miss Paraná.” E eu, aceitei esse grande desafio.

Nessa época eu tinha somente 17 anos, tímida, sem muita experiência de vida mas, sabia que contava com maior companhia que poderia ter: a de Jesus! Sim, Ele sempre estava comigo em todos os momentos. Meus pais, se esforçaram muito para que tudo acontecesse. Minha mãe saiu comigo a pé de empresa em empresa buscando patrocínio, tanto para o programa quanto para pode ir para o Miss Paraná. Meu pai, me levava todos os sábados para a TV e ficava lá me esperando até terminar minha entrevista, que poderia ser logo que eu chegava ou poderíamos esperar mais 1 hora.

Meu primeiro entrevistado foi o Dr Paulo Mussi, nosso grande profissional especialista em ortopedia e que na época tinha recebido o prêmio “Bicho do Paraná”. Lembro que devido à agenda corrida do médico, eu não consegui me encontrar com ele antes da entrevista para preparar as perguntas, sentamos na ante sala do estúdio minutos antes de começar um programa AO VIVO! E eu nunca na vida tinha pego num microfone (a não ser na minha infância, onde eu brincava de ser repórter e entrevistadora!) Confesso que comecei bem, mas lá pelas tantas todas as perguntas que tinha na minha cabeça foram respondidas pelo Dr Paulo no primeiro momento rsrsrs, mas o Adair com todo seu profissionalismo me ajudou a conduzir e a encerrar a entrevista com êxito. A partir desse momento eu fiquei no programa com meu amigo Adair por mais 4 anos.

Eu e Dr Paulo Mussi, minha primeira entrevista na Tv.

E nem tudo são flores quanto parece, mesmo sendo eleita a Miss Pato Branco, ser convidada para muitos desfiles, eventos e etc, eu também tive que enfrentar vários preconceitos e desafios. Lembram que falei do meu pai mais acima sobre ser filha de pobre? Infelizmente, esse sempre foi um dos maiores preconceitos no nosso país e muitas vezes ouvia frases em tom de desaprovação por não ser de família rica ou tradicional. Isso me abalava? Às vezes, e muitas vezes pensei se estaria no lugar certo mesmo, não por mim, mas pela maldade das pessoas. Pensava se era no meio dessas pessoas que queria estar, se isso me fazia bem? Mas, aí pensava que eu poderia insistir e aos poucos mudar o pensamento das pessoas, mudar a visão que eles tinham de mim, mostrar que eu era competente, que eu merecia sim representar minha cidade e que assim faria, independente do que pensassem… eu faria a minha parte com o melhor de mim.

Vestido no Miss Paraná foi eleito o melhor traje de gala. Foto Rudi Bodanese.
Fiquei em quarto lugar no Miss Paraná, entre 40 candidatas. Foto Rudi Bodanese.

Trabalhei tanto, participei de tantos eventos que aos poucos meu nome foi se tornando conhecido em Pato Branco e na região, muitas vezes ia para desfiles em outras cidades e o povo já me conhecia. O evento e o título se tornaram tão conhecidos que no final de 95 quando o Adair abriu as inscrições para o concurso de 1996 mais de 100 meninas se candidataram e o prêmio foi um carro 0km. O concurso de 1996 teve 26 candidatas no final e a vencedora daquele ano também teve a oportunidade de trabalhar na TV, mas não quis, a de 1997 também. E eu fui ficando na TV, continuei participando de desfiles, feiras, eventos até que “ganhei” o título de Eterna Miss Pato Branco, do meu grande amigo Leucimar Jascoski.

Dia de Passar a Faixa.
Desfile de despedida do título.

Na TV descobri o meu grande dom: o da comunicação. Na época sonhava em fazer jornalismo, mas na cidade não tinha o curso e meus pais não tinham condições, de me manter em outra cidade. Então cursei Administração e fui trabalhar em empresas e bancos por muitos anos. Hoje, com a internet as pessoas podem desenvolver um bom trabalho, sem depender diretamente de um empregador. Basta ter vontade e criatividade que o negócio flui. E foi assim que criei esse site para contar histórias de vida e trazer informação para vocês. É esse trabalho que me permite deixar fluir o que tenho dentro de mim e me realiza. É compartilhando grandes histórias que vejo que minha missão de vida é realmente essa: levar coisas boas adiante, inspirar pessoas, trazer luz e esperança para a vida. E hoje sou feliz porque vejo meu trabalho sendo valorizado e minha trajetória de vida sendo inspiração para muita gente.

Muitas coisas boas e ruins aconteceram desde o Miss até agora, mas com certeza esse foi um dos maiores presentes que Deus deu para mim, sei que só aguentei tantas coisas porque Ele esteve do meu lado e nunca me deixou cair. Ele me entregou presentes que nem sei como agradecer. Tive grandes pessoas durante essa minha caminhada que se mencionasse faltaria espaço. Meus pais e meus irmãos sempre foram meus incentivadores, protetores, minha base. E nesse dia Internacional da Mulher, deixo um pouco desse trecho da minha vida para dizer para você que chegou até o fim dessa leitura: Não desista, Não tenha medo, seja forte e corajoso, pois foi assim que Deus ordenou. Plantes bons frutos e espere pela sua colheita! Porque ela vem! Obrigada a todos que me acompanham por aqui! Um beijo.

No meu último ensaio fotográfico. Foto: Carina Pelegrini.

2 respostas para “Há 25 anos: Meu Miss Pato Branco!”

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