Nossas casas são nosso refúgio, nosso lugar de descanso e também para desfrutar os momentos de lazer com a família e amigos. Independente se nosso lar é uma casa ou um apartamento, ter um lugar onde podemos nos conectar com a natureza é muito importante! É nesse momento que profissionais que trabalham com paisagismo podem nos ajudar a aproveitar nossos espaços, entender o nosso estilo de vida e preferências, e também o estilo da nossa casa. Por isso, hoje convidei minha amiga e paisagista da nossa casa, Shéli, para falar um pouco sobre os diversos estilos de jardins que podemos utilizar para complementar nosso lugar preferido: nossa casa!
“A pedido da minha amiga Lu, vim trazer um pouquinho do paisagismo para os interessados.
Sou Shéli Koller, Paisagista e Jardinista, apta a atuar desde 2017, quando fui certificada com formação técnica através da escola IBDI (Instituto Técnico de Design de Interiores) de Balneário Camboriú. Busco constantemente aprendizado porque acredito que para ter uma boa atuação na área, preciso ampliar meu conhecimento em botânica porque trabalho muito com as plantas; agronomia porque trabalho com solo, pragas, doenças; arquitetura porque preciso entender arte, design, estética, construção de espaços; e sempre há atualizações importantes nos programas que utilizo para elaborar os projetos em 3D; isso sem comentar que preciso me atualizar também sobre os diversos produtos e elementos que o mercado disponibiliza para compor espaços externos.
O que me motiva além do amor que tenho pelo que faço, é saber que cada espaço que crio, é cenário de bons momentos e que de alguma forma eu estou ali através deles. É uma energia muito boa. Ver fotos e vídeos dos clientes ocupando o espaço e mostrando ou comentando como evoluiu, funcionou, como deu certo … ahhh meu coração transborda de alegria!
Mas vamos lá: Muitas pessoas imaginam que paisagismo é um espaço criado somente com vegetação, mas o nome disso é jardinismo e jardinagem. Paisagismo vai um tanto além… O paisagista tem por atribuição realizar projetos de espaços livres de edificação em suas variadas escalas, desde um jardim a um parque, tendo como objetivo interligar a preservação do meio ambiente natural e construído com a estética do design e ainda utilizar seu conhecimento para solucionar possíveis questões existentes no local; e as plantas são UMA das alternativas para a composição da paisagem, mas em alguns casos podem ser dispensáveis.
Todo início de projeto começo com o levantamento preliminar para conhecer e fazer a leitura do espaço, o perfil dos usuários e todas as observações relacionadas a ele, inclusive e muito importante: o estilo. Dentro do paisagismo há estilos importantes a serem considerados e os mais utilizados entre os paisagistas são o tropical, oriental, inglês, francês e desértico. E eu vou explicar sobre a origem dos estilos e um pouco sobre cada um destes que mencionei.
O paisagismo evoluiu como expressão artística ainda nas civilizações antigas. Temos a primeira menção e descrição de um jardim relatada no livro bíblico de Gênesis, conhecido como o Jardim do Éden. Outro jardim antigo com características diferentes é conhecido como Os jardins Suspensos da Babilônia , e depois vieram os Jardins Egípcios, Jardins Persas, Jardins Romanos e por aí vai… O fato é que os estilos estão relacionados a cultura de cada povo e época e nos servem de referência.

Jardim Francês
É um jardim clássico e bem organizado, com formas geométricas, simetrias perfeitas, broderies, arbustos e muita topiaria. As flores aparecem trazendo graça e cor mas sempre em canteiros bem demarcados. O estilo exige alta manutenção já que é caracterizado pela formalidade e organização. Lagos, bancos, colunas, gazebos e esculturas também podem fazer parte do espaço. Algumas plantas sugeridas para o estilo e que se adaptam ao nosso clima são: azaléias, lavandas, glicínias, heras, roseiras, ciprestes, murtas e chorão.




Jardim Inglês
Este estilo surgiu para contrariar a formalidade do estilo até então mais utilizado. Neste as formas geométricas e retas não são aceitas, assim como as plantas de alta manutenção. Este estilo valoriza a naturalidade da paisagem, as curvas, maciços com mistura de plantas, gramados extensos e as ondulações do terreno. Outros elementos como árvores secas, pedras, rochedos e pequenas colinas podem ser agregados a ele. A sensação que o jardim inglês proporciona é a de estar em um bosque antigo e natural sem intervenção do homem. Algumas plantas que podemos utilizar para remeter ao estilo são: árvores nativas e ciprestes; arbustos variados como viburnos, dodonae, leea rubra; flores como o gerânio, margaridas, sálvias, jasmins; forrações como a lutiela, iresine agregam cor e as gramíneas podem ser a esmeralda, são carlos e/ou grama preta.




Jardim Desértico
Este jardim que também é chamado de jardim rochoso é caracterizado por um cenário árido, e tem na sua composição plantas xerófitas, ou seja, que acumulam água para períodos de estiagem e por este motivo, este jardim precisa estar em um ambiente com ótima drenagem porque a umidade demasiada pode comprometer a vegetação. O jardim desértico pode ter referência na caatinga brasileira, nos desertos mexicanos, no cerrado ou um mix dos três. É um jardim de baixíssima manutenção e tem como superfície as variadas granulações de areia e/ou rochas de tamanhos variados mas essa mistura precisa ser feita com cautela e preservando as cores pois uma mistura de pedras com tons ou formas muito contrastantes pode comprometer a estética e estilo. As plantas para esse jardim são variações de capins, variações de cactos, variadas agaves, dracena draco, dracena tricolor, palmeira de madagascar, alecrins e lavandas.


Cactário Horst – Imigrante – RS
Jardim Tropical
Como no estilo inglês, este é caracterizado pela preservação das formas naturais das plantas, com linhas orgânicas mas a diferença é que as plantas vem fazer parte do espaço com muita cor e volume. Pássaros e borboletas são atraídos pelos jardins tropicais e talvez por isso eles nos passam uma energia, alegria e vibração. A questão aqui é que a maioria das espécies que compõe um espaço tropical não suportam frio portanto, se não forem protegidas no inverno podem padecer rebrotando apenas na primavera quando as temperaturas subirem e em pouco tempo mostram sua exuberância. Algumas plantas que fazem parte deste estilo são: as palmeiras (no geral); helicônias, alpínias, clúsias, bromélias, filodendros, strelítzias, flamboiants, calatéias, samambaias, pleomeles, ravenalas.



Jardim Oriental
Neste estilo as plantas são de importância secundária e os elementos e acessórios é que ganham destaque. Por isso quase como regra, há de ter em um jardim oriental a água (simboliza a vida), seja através de uma fonte ou lago; lanternas chinesas (simboliza concentração e clareiam a mente), uma ponte ou um caminho (representa a evolução), as pedras (simbolizam pais e descendentes), e vegetação que com obrigatoriedade precisa ter uma cerejeira do japão (simboliza a felicidade) ou um acer (simboliza a reflexão). Tudo vem com simbolismo. E no geral, é um espaço místico repleto de religiosidade, para contemplação e que desperta a espiritualidade trazendo a paz. As plantas que podem agregar ao espaço são: bambu, nandina, junípero, pinheiros, ligustro e tuias, além das mencionadas acima.



Espero ter contribuído compartilhando um pouquinho do que sei. Ressalto que os estilos são importantes referências mas podemos criar muito agregando a eles, personalidade. Melhor do que ter o espaço igual ao da imagem do Pinterest, é ter um espaço único e que permita que sentidos sejam aguçados, que tragam lembranças de viagens, de lugares, de pessoas, de momentos e permitindo que a originalidade nele existente faça com que sinta-se no melhor lugar!”
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